Os textos publicados na Porta de Embarque 04, são da responsabilidade e autoria dos seus editores (António Luís e Paulo Mata) e colaboradores (Rui Alves e Rui Ferreira e Rui Sousa), salvo indicação em contrário. O seu uso total ou parcial só poderá ser feito mediante a referência explícita ao seu autor e ao Pássaro de Ferro, ou sob sua autorização expressa!
Vinha na passada semana da reportagem da Helitech publicada no Pássaro de Ferro, quando me apercebi que ainda não tinha almoçado (e passava das 5 da tarde...).
Ia já a entrar na 2ª circular quando me lembrei da existência de um conhecido restaurante de uma cadeia internacional de franchising, que fica quase no enfiamento da pista 21 do Aeroporto de Lisboa. Como estava vento Sul, quase de certeza estariam a descolar os aviões nessa pista. Havia por isso que compensar as largas horas de jejum que já levava e comer também com os olhos.
Saboreei um magnífico hamburguer com tudo o que tinha direito, a olhar para os gigantes dos céus a descolar quase por cima de mim e a desaparecer nas nuvens, que baixas, fechavam a cortina por trás do rugido das turbinas em esforço máximo.
À saída, e uma vez que tinha a artilharia fotográfica comigo, não pude deixar de registar algumas das descolagens, numa espécie de spotting compulsivo, para o qual tinha sido guiado pelo "acaso" que me levou até ali.
A noite começava já a descer, precipitada pelo mau tempo.
A certa altura o aumento da velocidade do vento começou também a fazer com que os aviões passassem já nessa altura bem mais altos sobre a 2ª circular, estragando a espetacularidade do cenário.
Abandonei o local, não sem algumas conversas de ocasião com pessoas intrigadas com o que fazia eu ali, e alguns sustos pregados a condutores, crentes de que a máquina fotográfica seria um radar de velocidade rodoviário.
Interpretei por isso a minha versão de uma antiga música de Rui Veloso, "Um café e um bagaço" com um hamburguer e um avião. Em rigor vários aviões.
Airbus A-330 da Iberworld esconde-se nas nuvens baixas
Há dias, numa incursão relâmpago ao Aeroporto da Madeira, já depois das 17h e com um céu muito escuro, que minimizou bastante a luz, e enquanto assisti em meia hora ao bailado dos aviões, este Boeing 738 da Transavia sobreviveu com alguma dignidade à pobreza técnica das fotos (ainda assim poucas) que arrisquei tirar.
Sobretudo na primeira, fiquei surpreendido pela geometria da posição do avião, enquanto se alinhava com a pista 05, ainda a uma boa milha de distância. A linha de asas do avião assume um paralelismo quase perfeito com a encosta visível por trás.
Na segunda imagem, uns segundos mais à frente, o avião está a 30 ou 40 pés de tocar a pista, já posicionado, descendo com suavidade até tocar o asfalto.
Visto assim, nesta simplicidade geométrica, o voo de um avião como este parece simples...
Há fotos que quando as tiramos, não fazemos ideia de que se podem transformar em pedaços de história. A acima apensa foi capturada num instante fugaz em 1994, quando taxiava a bordo de um MD-89 da Iberia no aeroporto da Portela de Sacavém e que retrata os Tristar que durante anos foram os transcontinentais de excelência e maior avião da frota da TAP. Retrata também o antigo logótipo da TAP, que parece agora, tal como o Tristar, já peça de museu.
Devo dizer que quando soube que a TAP iria mudar de logótipo, tive uma reacção de antagonismo, quanto mais não fosse porque durante anos (quase décadas) me habituei a considerar o antigo desenho como obra prima do design nacional, tal como me foi apresentado nas aulas de Teoria de Design que frequentei.
E "de repente" já não há Tristar e a TAP tem um novo logótipo.
O mundo não pára. Tudo muda, já dizia Camões.
A propósito e para que não restem dúvidas, acho a nova pintura dos aviões da TAP soberba.
Sequência de chegada e inversão do sentido da marcha, para estacionar no apron do Aeroporto Internacional da Madeira, no domingo, 19 de Setembro de 2010
Por duas ocasiões tive a oportunidade de voar neste tipo de avião. A primeira entre Funchal e Lisboa, a segunda, uma semana depois, no sentido inverso, qualquer delas num voo proveniente de e com destino a Caracas, na Venezuela.
Foram dois voos realizados em Setembro do ano passado, em circunstancias pessoais de grande dureza emocional, mas que não turvaram a excelente impressão com que fiquei do comportamento do avião.
Suave, seguro, estável e... rápido. Em qualquer das situações, as partidas deram-se com cerca de 15 minutos de atraso, mas que no ar foram recuperados, ao ponto de, na viagem de regresso à Madeira, o avião ter chegado 10 minutos antes do seu ETA de tabela.
Partilho com os leitores do Porta de Embarque, algumas fotos que obtive do TAP A-332 CS-TOG, na sua escala na Madeira, no dia 19 de Setembro passado!
Push back do A-332 CS-TOG, para iniciar a partida rumo a Lisboa, na sua escala vindo de Caracas.
Saída de mais um voo da Transavia, no habitual Boeing 737-800, no passado domingo, da Madeira rumo à "Mui nobre, invicta e sempre leal Cidade do Porto!
O Boeing 737 é uma das mais importantes aeronaves de transporte de passageiros da História da Aviação Comercial.
Tantos anos depois, continua na linha da frente de muitas companhias aéreas, com uma fiabilidade impressionante!
Quando chegamos a um país novo (e chegamos de avião...) as primeiras impressões que temos desse país são-nos dadas pelo aeroporto em que aterramos.
A visão do aeroporto ao aterrar é o prelúdio das sensações que nos inundam quando chegamos a um lugar novo, com costumes diferentes, hábitos diferentes, gentes diferentes, dos que estamos habituados no nosso quotidiano nativo.
Nos primeiros metros fora do avião e pelos corredores (por vezes bem longos) que nos levam à descoberta de novos mundos dentro deste mundo, começamos a dar forma à opinião sobre a nova realidade em que nos encontramos.
O aeroporto é por isso o primeiro postal ilustrado que guardamos, quanto mais não seja na memória, tão vívido como qualquer outro postal comercial, que talvez compremos nos ditos locais turísticos.
Quando partimos, é também no aeroporto que saboreamos os últimos minutos de sabores por vezes exóticos, que tão cedo muitas vezes não voltamos a provar.
Um aeroporto, é mais do que um local de partidas e chegadas.
É um portão entre dimensões.
O aeroporto Amílcar Cabral, em Cabo Verde é frequentemente escaldo por muitas aeronaves, sob a bandeira de diversos países.
É um país pacificado, estrategicamente localizado e, também por isso, propício para escalas técnicas e afins,efectuadas por diversos tipos de aeronave.
Por isso não é difícil encontrar por lá, entre outros, os Antonov 124.
Estas 3 fotos foram obtidas há cerca de um ano, pelo leitor do Pássaro de Ferro, Miguel Brandão.
Foram obtidas com uma simples câmara compacta, mas que provam que por vezes se está no sítio certo à hora certa.
Numa outra passagem pelo aeroporto Amílcar Cabral, em Janeiro de 2010, o Miguel Brandão "apanhou este belo pássaro", como ele próprio referiu no email que me enviou.
Trata-se de um IL-76 ao serviço das Nações Unidas, em escala técnica, a caminho do Haiti.
Uma pessoa vai para a praia, a uma escassa milha do Aeroporto, aproveitar o bom tempo, descomprimir, dar uns mergulhos e, nos intervalos, vê os aviões.
Sempre que o apelo da água não foi maior, a máquina empunhou-se e fez-se o gosto ao dedo e ao gosto pelos grandes "Pássaros de Ferro". .
Aqui ficam alguns movimentos captados ontem, sábado, 28 de Agosto.
Fokker 100 da PGA
A-319 da Easy Jet
A-319 da TAP
Bombardier Q-400 da SATA
No final da tarde, cerca das 19:40h, um Aviocar C-212 da Força Aérea aterra, muito provavelmente numa evacuação médica - MedEvac, a ajuizar pela rápida e invulgarmente curta aproximação que efectuou à pista 05 do Aeroporto.
Boeing 747 complementa o Big Ben num fim de tarde em Westminster
Antes que eventualmente comecem com sensações de déjà vu, sim sou o autor também da peça "Da Polónia com amor" no Pássaro de Ferro e não resisti à tentação (ou simplismo) de o repetir com ligeira nuance para o adaptar às fotos de hoje.
Conforme tive também oportunidade de referir em peça no Pássaro de Ferro, não sou nem tentarei fazer-me passar por aquilo que não sou: especialista ou até admirador fervoroso da aviação comercial.
A época que decorre todavia, proporciona contactos com aeroportos civis e respectivos - ainda não aderi ao acordo ortográfico- inquilinos.
Mesmo inadvertidamente acaba-se por apreciar a azáfama que rodeia as partidas e chegadas, a variedade de cores das pinturas e modelos que é possível observar num grande aeroporto internacional.
E até mesmo num fim de tarde em Londres, em vez de olhar para onde a generalidade dos turistas vão olhando, os olhos fogem para o firmamento onde a cada minuto (sem exagero) iam passando um atrás de outro, os "transportadores de férias e sonhos" na final para a pista de Heathrow, um dos aeroportos mais movimentados do mundo.
À semelhança dos olhos, também a máquina fotográfica se desviou alguns graus para cima e as minhas típicas fotos de turista (tiradas por uma não menos câmara de turista) incluem vultos de A340, A319, 747, 757, 737, em apenas dez minutos encostado à entrada do Underground de Westminster.
De Inglaterra para a Porta de Embarque 04, Paulo Mata.
Airbus A340 da Virgin Atlantic sobre as "Houses of Parliament"
Foto: Konstantin von Wedelstaedt O mistério envolvendo o voo da Malaysia Airlines desaparecido desde sexta-feira aprofundou-se com o ...
CRÉDITOS
Os textos publicados noPássaro de Ferrosão da autoria e responsabilidade dos seus autores/colaboradores, salvo indicação em contrário. Só poderão ser usados mediante autorização expressa dos autores e/ou dos administradores.