segunda-feira, 10 de julho de 2017

O VOO DO MOSCARDO [Muscardus Aristidianus Açorianus VI]



Não me importo de me repetir, quando digo que a história completa do Sr. Aristides Pires, esse Dédalo e Ícaro, decano da nossa aviação experimental, está toda por contar, na íntegra pelo menos, alguém o fará, se não ele próprio, eu pelo menos assim o espero.
Pelos retalhos que ousei relatar em vários escritos (referidos abaixo), considero-me um tipo bastante afortunado de o ter feito, mas muito mais afortunado de o conhecer e de o ter como Amigo.
A sua história confunde-se com a do Moscardo, desde quando não passava de um projecto num papel, de uns quantos barrotes de madeira e folhas de contraplacado, às diferentes fases da sua construção, à sua certificação e voo, até aos dias de hoje, sempre a modificar, melhorar, e o introduzir alterações impostas pelo evoluir das regras.
Sempre que a inconstância dos caprichosos humores do Anticiclone dos Açores e das suas quatro estações diárias, de quando em vez, lá o Moscardo se dependura no éter e o seu ronco ecoa no terreno plano do Graben Terceirense, da Praia da Vitória até as Lajes.
Esta visita, que fiz no final de Junho, foi para mim o fechar de um ciclo já que, das muitas vezes que fui à Terceira, por muitas e variadas razões, nunca vi o Sr. Aristides a voar. Assim, e desta vez, assisti à preparação do aviador e da sua máquina estridente, e os vi descolar, com direito a diversas passagens sobre a pista, uma delas em rase motte, e depois o seu regresso, para o cerimonial inverso de recolher o Moscardo ao hangar, até à próxima vez. Não vos sei transmitir em palavras a alegria de ver este meu amigo a voar! E eu ali, feito um puto, sentado na relva, a ver isto tudo! Só mesmo estando lá para ver!
Aqui fica pois, mais que o vazio das minhas palavras, um pequeno apontamento fotográfico, também ele confinado às limitações do autor, tudo isto em louvor dos que ousam colar as penas com cera e elevar-se no éter.
O meu obrigado ao Sr. Aristides Pires, por continuar a viver o sonho.

Texto: Rui Ferreira
Entusiasta de Aviação
Junho 2017




  Destapar o avião e começar a verificar os equipamentos.

Vamos lá ouvir outra vez o que nos diz o ATIS...
(Automatic Terminal Information Service)

   Combustível, CHECK!

   Uma ajuda para acertar a posição das fitas do “Mae West”.

 Lá fora o azul imenso espera o Moscardo.

   O “tractor” é velhinho mas trabalha muito bem.



     Entrar, apertar o cinto e mais um sorriso. Sempre bem disposto!


 Motor a roncar e já o Moscardo rola para a posição de descolagem.


 E eis que se dependura no céu! Uma segunda passagem, em “rase motte”.


 E todo o trabalho de mais de uma hora de preparação, para 
uns 10 minutos de voo, mas a satisfação é plena! 

 Confesso a minha alegria por estar ali com este meu Amigo!

 Resta arrumar o Moscardo, até ao próximo voo.




Outros escritos:
Pássaro de um sonho [Muscardus Arisitidianus Açorianus] (M460 - 2RF/2011)
http://www.passarodeferro.com/2011/01/passaro-de-um-sonho-muscardus.html

Muscardus Açorianus Aristidiensis II (M222- 01RF/2013)
http://portadembarque04.blogspot.pt/2013/05/muscardus-acorianus-aristidiensis-ii.html

MOSCARDO EM RECUPERAÇÃO [Muscardus Aristidianus Açorianus III] (M260 - 02RF/2013)
http://portadembarque04.blogspot.pt/2013/07/moscardo-em-recuperacao-muscardus.html

A recuperação do “Moscardo” [Muscardus Arisitidianus Açorianus IV]
http://portadembarque04.blogspot.pt/2014/05/a-recuperacao-do-moscardo-muscardus.html

MOSCARDO EM VOOS DE EXPERIÊNCIA [Muscardus Aristidianus Açorianus - V]
http://portadembarque04.blogspot.pt/2015/03/moscardo-em-voos-de-experiencia.html

 


Nota do pessoal: De facto, para quem gosta de aviões, ir à Terceira e não conhecer este homem, é literalmente a mesma coisa que visitar a Cidade do Vaticano e não ver o homem que enverga as sandálias do Pescador. Agora deixem que eu pense (coisa rara) e em voz alta.
O Sr. Aristides já ameaçou, não que fosse a primeira vez, que vai pendurar as asas no cacifo, e eu dou por mim a pensar, e depois…? Sim, depois, o que vai acontecer a tudo aquilo, o avião, o material, a oficina, as ferramentas, os livros, documentos e sei lá que mais…?
O museu da ilha é simpático, mas evidencia não ter uma vocação para valorizar a muita história da aviação da ilha. Ainda bem que, pelo menos até agora, a Força Aérea Portuguesa ainda não foi chamada para lhes ceder um Puma ou um Aviocar, o que faria todo o sentido, mas é melhor não, já que o FIAT mantém-se guardado no hangar do aeroclube a acumular teias de aranha e toda a sorte de porcarias.
Entristece-me imenso dizer isto mas, somos fraco país para valorizar o acervo aeronáutico que compõe a nossa história, veja-se por exemplo a longa lista de aeronaves e artefactos de todo o tipo que fizeram parte dos mais de 100 anos da aviação, e que fomos perdendo pelo caminho.
Bem sei que vozes de burro não chegam ao céu, mas era bom que alguém, de vistas mais amplas, decida acautelar este importante acervo da história da aviação portuguesa!

Fotos: Rui Ferreira e Susana Ponte

 

domingo, 25 de junho de 2017

"PORTUGAL" VOA JÁ AMANHÃ

Créditos na imagem: Tiago Palla/jetphotos.net

«O novo avião da TAP com emblemática pintura "retro" apresenta-se aos portugueses em Lisboa e no Porto. É um Airbus A330-300, é uma homenagem a Portugal e aos Portugueses e vai promover o País aquém e além-fronteiras.
A primeira aeronave da TAP a exibir uma pintura “retro” descola esta segunda-feira e vai pôr os portugueses a olhar para o céu.
O Airbus A330-300, batizado de “Portugal” é um tributo da TAP à sua já longa história, que é também a história do País. Hoje como outrora, a TAP cruza os céus em nome de Portugal e dos Portugueses, já lá vão 72 anos.
A pintura do novo avião “Portugal” faz parte de um conjunto de ações programadas pela companhia para celebrar essa ligação histórica e indissociável entre a TAP, Portugal e os portugueses.
Ao iniciar os voos comerciais de longo curso, em que irá promover Portugal além-fronteiras, da América do Norte, à América do Sul, passando por África, o "Portugal” apresenta-se esta segunda-feira, dia 26, num primeiro voo nacional de demonstração.
O itinerário deste primeiro voo foi criteriosamente desenhado para mostrar aos Portugueses e ao mundo este verdadeiro embaixador de Portugal, tendo passagem assegurada pelos cenários mais icónicos de Lisboa e Porto.
Quem voou nas décadas de 50, 60 e 70 vai emocionar-se ao recordar estas cores. E quem nunca voou, também. É um ícone a que é impossível ficar indiferente. A todos, a TAP apela a que vejam o “Portugal” voar. Basta olhar para o céu na segunda-feira de manhã.

O itinerário:


O “Portugal” descolará de Lisboa pelas 9:00, rumo ao Porto. Na Invicta, irá sobrevoar a Foz e fará a primeira passagem baixa na pista do Aeroporto Sá Carneiro, pelas 10:00. De regresso a Lisboa, sobrevoará Cascais, a ponte 25 de Abril e, pelas 11:30, terá uma passagem baixa na pista, antes de aterrar no Aeroporto Humberto Delgado ao 12:00.
O avião: O “Portugal” é um dos três Airbus A330-300 que a TAP recebe este verão e que contribuem para o aumento de capacidade da companhia face à abertura de novas rotas, nomeadamente a rota de longo curso para o Canadá (Toronto), inaugurada a 10 de junho.
Com a matrícula CS-TOV, tem  capacidade para 285 passageiros e ostenta a imagem corporativa da TAP utilizada entre os anos 50 e 70. É recriada, de forma fiel, a tipografia ‘Transportes Aéreos Portugueses’ e o logotipo da companhia na época, popularmente conhecido como “Passarola”.
Este é o segundo avião da TAP a receber o nome do País. O primeiro a chamar-se “Portugal” foi um Boeing 747-200, recebido pela TAP em fevereiro de 1972.
A imagem clássica escolhida para este avião “retro”, a mais emblemática antiga identidade corporativa da companhia, foi utilizada pela primeira vez no avião Lockheed Super Constellation, recebido pela TAP em julho de 1955, tendo o Boeing 727-200 sido o último a exibi-la.

Foto: Carlos Silva

Agora, é um moderno Airbus A330-300 a vestir estas “cores”. O significado que elas carregam, esse, é o mesmo.»

Texto: Press release da TAP

sexta-feira, 13 de março de 2015

70 ANOS DA TAP


A TAP Portugal cruza hoje os 70 anos.
É uma marca portuguesa. Com certeza.
É uma bandeira que voa pelo mundo e que leva a Portugalidade, o orgulho português, o vermelho da paixão e o verde da esperança, espelhando-o pelo céu e pela Terra, que voa pelo mundo, onde quer que haja um português.
É um orgulho. É uma certeza. É uma guitarra. É um fado.
Das muitas viagens de avião que já fiz, apenas por uma vez não o fiz nas asas da TAP.
Faço-o alheio às polémicas políticas que a vendem, que a não vendem, que a privatizam, que a não privatizam, faço-o porque gosto muito da TAP, faço-o porque a TAP se revela intemporal, antiga, presente, moderna.
É o meu país que ali está, com asas, subindo e descendo, enfrentando os elementos, que me inspira confiança, que me oferece simpatia, que me faz voar pelo céu, nos mais belos aviões com as mais belas cores, fazendo do longe perto, unindo o que a geografia separa. 
De braços abertos! 
Obrigado TAP!
Parabéns!

terça-feira, 10 de março de 2015

MOSCARDO EM VOOS DE EXPERIÊNCIA [Muscardus Aristidianus Açorianus - V]


Toca o telefone e uma voz visivelmente eufórica e, ao mesmo tempo, exausta, faz-me o relato de mais um dia de testes, não poupando detalhe nenhum, o vento, a atitude do avião, a rotação do motor, a razão de subida, e um infinito conjunto de pormenores de mais um dia, de mais um voo de experiência.
Falo, claro, do Sr. Aristides Pires, esse fervoroso entusiasta da aviação, ao mesmo tempo Dédalo e Ícaro, que iniciou na passada semana um período de experiências no solo e em voo, que irá, a breve trecho espera-se, permita-o o caprichoso tempo açoriano, levar à renovada certificação para voo do Taylor Monoplane, de registo CS-XAB, de seu nome “Moscardo”.
Não podendo estar presente no momento do primeiro voo, dois entusiastas de aviação, e excelentes fotografos, André Inácio e João Toste, permitiram a reprodução das suas fotos, que registam o segundo voo de experiência.
A eles o meu obrigado.
Rui Ferreira














Outros escritos alusivos a esta "aventura":

Pássaro de um sonho [Muscardus Arisitidianus Açorianus] (M460 - 2RF/2011)

Muscardus Açorianus Aristidiensis II (M222- 01RF/2013)

MOSCARDO EM RECUPERAÇÃO [Muscardus Aristidianus Açorianus III] (M260 - 02RF/2013)

A recuperação do “Moscardo” [Muscardus Arisitidianus Açorianus IV]



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

AEROPORTO HUMBERTO DELGADO



A Câmara municipal de Lisboa aprovou hoje por unanimidade uma moção que propõe ao Governo renomear o aeroporto da Portela para "Humberto Delgado".

Sem votos contra, a iniciativa pretende assinalar os 50 anos do assassinato do “General sem Medo”, a 13 de Fevereiro de 1965. 

A edilidade lisboeta aprovou igualmente um voto de saudação em memória de Humberto Delgado, “uma das personalidades mais relevantes do século passado” que “contribuiu decisivamente para formar o Portugal de hoje”. 


sábado, 24 de janeiro de 2015

AMEAÇA DE BOMBA EM DOIS AVIÕES NOS EUA

Boeing 737 da Delta         Foto: Delta 

Num dos casos, tudo terá tido início num tweet de alguém que se questionava em que avião teria deixado um engenho explosivo.
Dois aviões foram obrigados a aterrar de emergência no aeroporto internacional de Atlanta, nos Estados Unidos.
Ameaças de bomba a bordo, julgadas credíveis pelas autoridades norte-americanas, forçaram a activação de um plano de emergência.
Aviões de combate acompanharam os dois aparelhos, um da Delta e outro da Southwest Airlines, até ao momento da aterragem em Atlanta.

Os passageiros já foram retirados de pelo menos uma das aeronaves, um Boeing 737 da Delta. O avião está a ser passado a pente fino pelas autoridades.
Nas redes sociais, já surgiu o tweet que terá provocado o incidente com um dos aparelhos.
Alguém o enviou para a conta do serviço de assistência da Delta, com a seguinte mensagem:"Coloquei uma bomba num dos vossos aviões, mas esqueci-me qual quando saí do aeroporto. Podem ajudar-me a encontrá-la?".

Fonte: TSF

domingo, 11 de janeiro de 2015

BOEING 777 QUASE A VELOCIDADE SUPERSÓNICA

Boeing 777-200    Foto: British Airways

Os fortes ventos de jetstream que se vêm fazendo sentir no Atlântico Norte têm proporcionado velocidades fora do normal para aeronaves comerciais.
Hoje por exemplo, um Boeing 777-200 da British Airways realizou a ligação entre Nova Iorque e Londres em apenas 5 horas e 16 minutos, tendo batido o recorde para aeronaves subsónicas naquele trajeto. 

O 777 do voo BA 114 chegou a atingir velocidades de 745 mph (cerca de 1190km/h), com a ajuda de ventos de até 200 mhp (320 km/h), tendo chegado cerca de uma hora e meia adiantado relativamente ao horário.

O fenómeno de jetstream é amplamente conhecido no mundo da aviação e consiste de ventos que sopram de oeste para leste, com especial incidência nas altitudes entre os 23.000 e 39.000 pés, onde se realizam a maior parte dos voos comerciais. Estes ventos são causados por uma conjugação de factores, como a rotação da Terra e o aquecimento solar. A intensidade dos últimos dias é explicada pelo choque entre massas de ar quente e ar frio sobre os EUA. 




terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A PRIVATIZAÇÃO E AS GREVES NA TAP



Transcrevemos a edição de hoje de "Macroscópio", do jornal online "O Observador", num trabalho do jornalista José Manuel Fernandes.
É uma matéria que se reveste de importância estratégica e quase vital, para uma das empresas mais importantes deste país.
As opiniões coligidas talvez ajudem a lançar alguma luz sobre este delicado assunto.
_____
Macroscópio 

«Paulo Ferreira tinha hoje um título sugestivo no seu artigo no Diário Económico: TAP, a mais longa privatização da História. Assim parece ser de facto. O primeiro anúncio de uma privatização data de 1991, há 23 anos, ainda era Cavaco Silva primeiro-ministro. O processo esteve bastante adiantado com António Guterres e João Cravinho, quando a TAP quase foi engolida pela Swissair, e nunca deixou de ser falado até que a privatização foi incluída no memorando de entendimento com a troika, tentada em 2012 sem que o Governo tivesse achado que o parceiro merecia confiança, e está de novo em cima da mesa. Com ela chega uma greve inapelável.

Antes de vos referir os argumentos que têm estado em cima da mesa, gostava de regressar ao texto de Paulo Ferreira pois nele conta-se uma história reveladora sobre a forma como em tempos funcionava a transportadora aérea nacional. Tudo aconteceu quando aquele jornalista e Sérgio Figueiredo propuseram à TAP que distribuísse a todos os passageiros de classe executiva um exemplar do jornal que então dirigiam, o Jornal de Negócios, e que eles próprios estavam a oferecer sem encargos para a companhia. Foi a seguinte a resposta do administrador desse tempo:
Ferreira Lima ouviu, gostou da ideia mas, lamentou, não podia aceitar. Explicou porquê. Colocar um jornal em cada um dos assentos da classe executiva - serão 15 ou 20 por avião? - antes da entrada dos passageiros seria uma rotina nova para o pessoal de cabine, não prevista na lista de tarefas que constava dos acordos da empresa. Para que os trabalhadores passassem a desempenhá-la a administração teria de abrir negociações laborais e atrás desse outros temas seriam colocados em cima da mesa pelos sindicatos, como contrapartida. Era abrir uma caixa de Pandora numa empresa que vivia em permanente convulsão laboral. Uma insignificância que não ocuparia mais de um minuto a um elemento da tripulação era, por isso, impraticável.
Esses tempos passaram, mas o poder dos sindicatos dentro da TAP está de novo em cima da mesa no actual braço-de-ferro. Não são poucos os que entendem que esse poder é excessivo e o seu foco deslocado. Vejamos alguns exemplos:

  • Vital Moreira, no Diário Económico: “Sob o ponto de vista do controlo empresarial, a TAP constitui desde há muito uma espécie de condomínio entre o Estado e os sindicatos da empresa, que exercem um eficaz poder de veto na gestão da empresa.
  • André Veríssimo, no Jornal de Negócios: “O sector dos transportes é particularmente propenso à realização de greves porque está investido de um poder que outros não têm, que advém do facto de prestar um serviço público indispensável e difícil de substituir. O que os sindicatos ainda não perceberam, ou fingem não perceber, é que a paciência dos portugueses se está a esgotar.”
  • Luís Rosa, no Jornal i: “Por mais incrível que pareça é isso que os 12 sindicatos da TAP estão a fazer. Noutras palavras: Puro suicídio laboral. Isto é, preferem ficar sem emprego a ter accionistas privados que injectem o dinheiro necessário (cerca de 500 milhões de euros) para a companhia aérea se transformar numa empresa segura para os seus trabalhadores. É o estado do sindicalismo actual.
  • Martim Avillez Figueiredo, no Expresso: “Talvez já muitos tenham esquecido que viajar de avião, há pouco mais de vinte anos, era um luxo, o que não impediu as chamadas companhias de bandeira de manterem os preços altos, mesmo apesar de levantarem voo com grande parte das cadeiras vazias. Na época, as tripulações ganhavam os mesmos salários e o modelo de negócio insistia na ideia de que os consumidores valorizavam mais a existência de pessoal de cabina a distribuir comida e bebidas do que uma redução generalizada no preço das tarifas. Nenhum sindicato, nessa altura, se insurgiu contra esse absurdo: voar sem passageiros?”


Eu próprio, em “António Costa, a TAP e as caravelas do século XXI”, defendi a ideia de que, desta vez, “os sindicatos da TAP estão a fazer um favor a todos quantos defendem a privatização da empresa. Greve atrás de greve, levam os cidadãos a sentirem-se exasperados. Como utentes e, também, como accionistas – mais exactamente como contribuintes accionistas, pois a TAP ainda é uma empresa pública.” Mas o ponto central desse meu texto é a defesa da privatização – uma privatização que terá sempre de ser muito cuidadosa. Eis um dos argumentos:
Acresce a todos estes argumentos que a TAP necessita de investimentos, e que é complicado, moroso, porventura impossível encontrar formas de esse investimento ser feito pelo Estado devido às regras europeias da concorrência – isto para além de que o Estado necessita é de dinheiro, não de mais dívida. É também por isso que a TAP tem mais hipóteses de sobreviver sendo privatizada. Em contrapartida, estará quase de certeza condenada a ser uma nova Allitalia ou uma nova Swissair se se mantiver pública – é uma questão de tempo e de mais algumas greves.
A ideia de que privatização não será o fim do mundo também sustenta a argumentação de Henrique Monteiro, no Expresso, em “Tap: uma greve a favor de quem?”:
Eu quero uma companhia que voe para determinados locais diretamente, sem ter de ir a outro aeroporto e que sirva os portugueses e a sua comunidade. Pode ser com esta ou outra bandeira, basta ver que os nórdicos Dinamarca, Suécia e Noruega têm a SAS e dão-se bem com isso. Ao contrário, por cá, quando chegou Fernando Pinto, só pelo facto de ser brasileiro foi contestado. Quando se falou numa fusão com a Ibéria (que faria sentido) invocámos Aljubarrota. E agora que se fala de privatização para-se quatro dias! 
Num terreno bem distinto se colocaram as vozes contra a privatização, ou em apoio da greve. Vejamos algumas delas:

  • Mário Soares, no Diário de Notícias (sem link): "Os funcionários da TAP - e muito bem - declararam fazer uma greve. Esta é uma greve patriótica e por isso admiro a coragem dos que a fazem, conscientes do que podem sofrer os portugueses que vivem no estrangeiro e que querem ao menos passar o Natal com as famílias em Portugal.”
  • Daniel Oliveira, no Expresso: “O problema é a impossibilidade (…) do Estado injetar dinheiro na TAP? Lute-se, na Europa, contra uma regra que não tem qualquer sentido que não seja a de estipular, como convicção ideológica, que os Estados não têm o direito soberano de ter empresas suas e de garantir a sua saúde financeira. Que a concorrência é um valor absoluto, acima do interesse público.”
  • Pedro Sousa Carvalho, no Público: “Os portugueses têm uma relação afectiva, emocional e até de orgulho na TAP, quer durante a ditadura, quer na democracia. Quer no tempo dos Super-Constellation, quer agora com os A340. E têm uma imagem de empresa competente e das mais seguras do mundo. Talvez este seja o maior capital da empresa. Longe de ser perfeita, e ainda com alguns tiques de monopolista, a TAP é um património do país que não deve ser entregue ao primeiro Frank Lorenzo que nos passar um cheque.”
  • Miguel Sousa Tavares disse na SIC que era a favor da greve e de "qualquer medida que se possa tomar contra a privatização da TAP". Isto porque "não vi até hoje uma única razão sólida para a privatização da TAP - nem neste governo, nem nos anteriores. O que tenho visto é uma estratégia que parece conduzir à liquidação da TAP."


Com uma greve de quatro dias marcada para um dos períodos mais sensíveis do ano, este tema continuará a suscitar muita controvérsia. Talvez voltemos a ele.»



Fonte: O Observador/José Manuel Fernandes

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

BOEING EFETUA PRIMEIRO VOO COM "GREEN DIESEL" COMO BIOCOMBUSTÍVEL DE AVIAÇÃO

O Boeing 787 "Eco" descola com a mistura inovadora, usada pela primeira vez em aviação. Foto: Boeing

Ontem, dia 3 de dezembro de 2014, em Seatlte - EUA, a Boeing completou o primeiro vôo do mundo usando "diesel verde", um biocombustível sustentável que está amplamente disponível e utilizado no transporte terrestre. 
A empresa abasteceu o seu "eco-demonstrador" Boeing 787, para efetuar um teste de voo no referido avião, com uma mistura de 15 % de "diesel verde" e 85 % de combustível para aviação a jato  no motor esquerdo. 

 Abastecimento da aeronave. Foto: Boeing.

"O diesel verde" oferece uma grande oportunidade para fazer biocombustível de aviaçã, de forma  sustentável, mais disponível e mais acessível para os nossos clientes", disse Julie Felgar, diretor da Estratégia Ambiental e Integração da Boeing Commercial Airplanes. 
"Vamos fornecer dados de vários voos no 'Eco-Demonstrator' para apoiar os esforços para aprovar este combustível para a aviação comercial e ajudar a cumprir as metas ambientais da nossa indústria."


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

AIRBUS A350 OBTÉM CERTIFICAÇÃO


O A350 XWB recebeu a certificação das autoridades aeronáuticas americanas e europeias. 
Em pouco mais de 14 meses, a Airbus executou um dos mais difíceis e intensos programas de teste já desenvolvidos em torno de uma aeronave e foi recompensada por seus esforços quando o A350-900 recebeu a Certificação Tipo da EASA e FAA, abrindo o caminho para o lançamento comercial da aeronave com a Qatar Airways. 
Como Fabrice Brégier, presidente e CEO da Airbus, disse: "O A350-900 está agora pronto para voar do ninho e ser apreciado por companhias aéreas e passageiros."
Recorde-se que a TAP tem prevista a aquisição de aeronaves A350, com vista à renovação da sua frota de longo curso.

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