segunda-feira, 30 de abril de 2012

GIL VICENTE

No passado sábado "apanhei" o Airbus 320 CS-TNN a descolar pela pista 23 do Aeroporto da Madeira, num dia algo errático no que respeita à direção do vento e que fez com que a alternância na operação das pistas se fizesse sentir diversas vezes durante curtos intervalos de tempo.
Seja como for, de rabo sentado nos calhaus da "Praia das Palmeiras", em Santa Cruz, apanhei-o já bem no ar e dele dou conta aos leitores do PE04.

 Pouco antes da passagem do TNN, uma gaivota passou sobre o spot...
A fechar as portas do trem de aterragem...



E siga para mais uma viagem, que felizmente não uma tragicomédia, em que era mestre Gil Vicente, o "padrinho" desta aeronave da transportadora aérea nacional.

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             Quanto for mais avisado,
             quem de amor vive penando,
             terá menos siso amando
             porque é mais namorado.

             Em conclusão:
             que amor não quer razão,
             nem contrato, nem cautela,
             nem preito, nem condição,
             mas penar de coração
             sem querela.


Trecho do "Auto do Velho da Horta" - Gil Vicente


segunda-feira, 23 de abril de 2012

O CÉU É SÓ "RELATIVAMENTE GRANDE"


As recentes greves da NAV mostram a importância dos controladores de tráfego aéreo e de como nas suas mãos, na sua atenção e minúcia, reside a segurança das muitas dezenas, centenas ou até milhares de aviões que, em simultâneo, cruzam os céus do mundo.
Com o advento de programas/aplicações de acesso comum como o Flightradar24, por exemplo, é impressionante ver, não vamos mais longe, a miríade de aviões que demandam o espaço aéreo do centro da Europa.
É com os olhos desses homens e mulheres, juntamente com os pilotos, que se constrói a sensação de segurança que nos conforta quando atravessamos espaços aéreos muito concorridos, rumo aos nossos destinos.
Lembro-me de, há cerca de 3 anos, ter voado de Lisboa para Zurique e a rota do voo se ter "alargado", digamos, sobre o centro da França, pouco abaixo de Paris, justamente para nos desviarmos de alguma congestão aérea e de, à janela do Airbus 319 em que voava, ter visto muitos aviões e as suas luzes a piscar acima, abaixo e ao nosso lado e que a dada altura, nos cruzámos com um outro voo que pouco acima do nosso FL revelou o pormenor das janelas iluminadas, visíveis a olho nu, tal foi a proximidade (segura) com que o cruzamento ocorreu!
Postas assim as coisas, nesta "simplicidade", pode afirmar-se que o céu é, por isso, só "relativamente grande"!

terça-feira, 10 de abril de 2012

MAIS VENTOS DO LESTE - Ilyushin IL-76A "Candid" no Porto


 O IL-76 para lá da "cortina de arame"...
 
A aviação de leste continua a ser um forte pólo de atração e sempre que uma aeronave  daquelas bandas demanda os nossos aeroportos, uma legião de seguidores corre para os “apanhar”.
Depois de gorada a expetativa  de ver e ouvir o AN-225 Mriya, desta feita um Ilyushin IL-76A "Candid" da "Volga Dnepr" não defraudou as esperanças dos entusiastas, não se tendo “baldado” como o gigante da Antonov havia feito uma semana antes.
Não sendo uma visita inaugural, é sempre muito interessante observar aviões que escapam à ditadura Airbus/Boeing, semeando o céu com um certo ar de variedade e que, quer se queira quer não, traz à memória tempos em que tudo se passava para lá da "cortina de ferro" e que, por isso mesmo, se revestia de uma aura de quase "clandestinidade!...
O avião, em si, reflete a sua origem militar e digamos “típica” da aviação de transporte de leste, isto é, robustez, pouco apelo estético e zonas onde se preveja a possibilidade de instalação de armamento ou de onde se possa observar o território sobrevoado, como é prova o envidraçado inferior, por baixo da cabine do avião.
A missão deste aparelho foi e é, felizmente, perfeitamente pacífica.
Ficam as imagens de uma bela máquina, eventualmente já meio "old fashion", mas sempre muito interessante.
O Rui “A7” Ferreira apanhou-o no Aeroporto do Porto e dá  aqui conta fotográfica do acontecimento.




Nesta última imagem, apetece utilizar o termo "marquise" para designar o envidraçado inferior à cabine de pilotagem, onde se podem ver peças de vestuário penduradas, como se de um estendal interior se tratasse.
Perante estes detalhes, percebe-se o total fascínio da aviação.

terça-feira, 3 de abril de 2012

DIA DE S. ANTONOV



Como se diz na gíria das gentes seguidoras dos Pássaros de Ferro que sobem e descem a ladeira no Aeroporto do Porto, cada vez que vem por cá um Antonov AN-124 “Ruslan”, ou outro assim invulgar, é de imediato proclamado “Dia de São Antonov”.

No passado dia 31 de Março, o "Dia de São Antonov" portanto, surge na sequência de, uns dias antes, se ter gerado um frenético zumbido cibernáutico prenunciador dos grandes acontecimentos aeronáuticos e afins, entre a prevista vinda de um Antonov e a preocupação em aferir se mentira de 1 de Abril se tratava ou não. Cedo as dúvidas se desfizeram em certezas, ou quase-certezas, obtidas a muito custo, foram levando as gentes a crer que, de facto, de São Antonov seria o último dia do mês.
Compreenda-se que este burburinho nada teria de transcendente não fora o facto de o avião previsto, nunca ter vindo ao Porto, ser só o maior avião do Mundo, mas também o único exemplar, o Antonov AN-225 Mriya.
Estas singularidades todas juntas, fazem em todo o entusiasta que se preze, fornecer-lhe todo o conjunto de certezas, certezas feitas de vontades, vontades de dizer presente! … naquilo que se adivinhava ser um momento único, que só o verdadeiro planespotter ou spotter sabe o que significa (embora não o saiba explicar muito bem), que é este de assistir à primeira vez que um determinado tipo de aeronave ou operador que utiliza uma determinada estrutura aeroportuária.

Ainda que sem as certezas todas e plenas, sábado, 31, lá estavam então todos, de perto e de longe, com as bocas cheias de sorrisos nervosos, a barriga às voltas com hambúrgueres e colas feitos à base de plástico, e os pescoços cheios já de vermelhidão de estar tantas horas, de máquinas penduradas, bolsos cheios de cartões e baterias, chicletes espremidas contra os dentes e outras contra o asfalto. Sempre atentos à informação na internet, aos sms e telefonemas dos amigos.

Mas, como se sabe, a vida dos entusiastas de aviação nem sempre se caracteriza por um desfiar de sucessivos sucessos e alegrias, todos sabem que dela também fazem parte muitos e difíceis sacrifícios, tantas vezes argrurosos que, por isto ou aquilo, acabam em insucessos.

Foi o caso. Schrödinger e Murphy juntos num só dia, ou seja, um Antonov trás uma caixa, só sabemos se o Antonov vem com a caixa ou não se formos ao aeroporto ver, mas se formos ele tanto pode vir ou não vir, mas se não formos ficamos sem saber.  (A caixa era para distrair)
No caso de Murphy, se o Antonov pode não vir ao Porto, ele não virá. Depois temos: a informação mais necessária sobre se o Antonov vem ou não ao Porto é sempre a menos disponível e o mais tarde possível.
E por fim: o pessimista queixa-se de não vai porque não sabe se o Antonov vem, o otimista espera que ele chegue independentemente de saber, o realista vai perguntar a quem sabe, e quem conhece Murphy não faz nada.

No sábado sucedeu também ainda um outro caso, o de um tipo: É pá, não matem o mensageiro! -- gritava ele, que explicou às dezenas de irredutíveis que esperavam ainda junto à pista, que tinha saído da torre de controle informação mais fidedigna possível, que o Mriya afinal tinha metido um plano de voo directo para as Lajes.

Abalaram dali alguns, se não muitos, com vontade de estrafegar o mensageiro... Mas isso são outras histórias.

Afinal no Porto, foi este um Dia de "São Antonoves-fora-nada..."

Fonte: Jane's

Texto: Rui "A7" Ferreira - Entusiasta de Aviação
Foto: (c) João Toste na Base Aérea das Lajes - Ilha Terceira/Açores

sábado, 31 de março de 2012

VOOS NA NOITE - FR24


Com o cada vez maior "alcance" do "Flightradar24", é possível seguir, em tempo real, grande parte das aeronaves civis que cruzam o espaço aéreo europeu.
Nas últimas noites, tenho seguido vários aviões que partem de aeroportos do centro europeu para a América do Sul - Brasil, Chile, Argentina, Peru, etc...
Com hora marcada, uma mão cheia deles desfila praticamente à vertical da costa sul aqui da ilha da Madeira, todas as noites. A-330, A-340, Boeing 767, 777 e 747 são os mais habituais.
Ao vê-los no computador e depois indo à varanda e olhando-os no céu, consegue-se perceber o quão preciso é o FR24 - não isento de erros, claro - que nos dá, em tempo real a posição do avião, velocidade e altitude de voo.
Toda esta facilidade agora alcançada, contrasta com a imensa curiosidade de quando era petiz e olhava o céu e os riscos que os aviões faziam. E punha-me a adivinhar de onde vinham e para onde iam e, mais tarde, munido de um potente par de binóculos, conseguia por vezes ver a companhia aérea. Mas nada mais conseguia saber. Esses dados eram acessíveis apenas aos controladores de espaço aéreo que eu achava serem uns sortudos, muito antes de saber do stress da sua profissão e da tremenda responsabilidade que sobre eles impende.
O meu pai, que sempre olhou para a aviação com desconfiança e aqui e ali com um aparente desprezo, para saciar a minha curiosidade atirava destinos ao calhas, conforme lhe parecia a direção/sentido do rasto branco dos aviões. Como pai é pai, achava que ele tinha razão e não duvidava...
Admito que uma vez por outra acertasse, mas a maior parte das vezes talvez errasse.
Recentemente, quando lhe disse que através dos computadores e de programas específicos é possível seguir um avião em tempo real, acedendo aos seus dados de voo elementares, ele olhou para mim e com aquele ar que conheço há mais de 40 anos disparou: 
- Isso é tudo uma treta!

_____
Nota: À hora que estou a escrever, estão a passar agora mesmo junto à ilha dois voos TAM, um A332 PT-MVU de Milão-Malpensa para São Paulo e um A332 (PT-MVM-StarAlliance) de Madrid também para S. Paulo. Voam entre os 35 e os 37 mil pés e a pouco mais de 800 km/h.


terça-feira, 27 de março de 2012

67 ANOS TAP

A TAP, companhia aérea de bandeira portuguesa, completou recentemente 67 anos de existência.
Pessoalmente, tenho a melhor impressão desta autêntica jóia nacional. Das já muitas viagens que fiz de avião, uns esmagadores 90% foram feitos nos aviões da TAP. Da atual frota, só me falta experimentar o A340.
Sou sempre muito bem tratado nas viagens, o pessoal de bordo é excelente no trato e na disponibilidade e temos, seguramente, os melhores pilotos e das melhores manutenções técnicas do mundo! E isso faz-me ter muito orgulho nesta companhia!

O meu batismo de voo, ocorrido em Março de 1991, foi a bordo de um mítico Boeing 737-200 da TAP.
Foi com os aviões da TAP que comecei a interessar-me verdadeiramente por eles, mesmo que depois a paixão se tenha virado quase em exclusivo para a aviação militar.

Mas, mesmo assim, a TAP esteve sempre no meu imaginário e soube construir em mim um enorme orgulho em ser português e ter uma das melhores e mais seguras companhias aéreas do mundo.

E é sempre um momento forte ver os aviões da TAP, descolando para tantas partes do mundo onde há portugueses, ou vê-los aterrar, seja onde for, trazendo dentro e nas suas asas o orgulho de uma nação, muito para além das muitas "sentenças de morte" que já lhe vaticinaram. Talvez por ser como é, tantos a queiram estragar!
Parafraseando Miguel Sousa Tavares, perder a TAP seria dar uma enorme machadada numa das poucas coisas sobre a qual nós portugueses nos podemos orgulhar.
Parabéns à TAP!
É um orgulho ter uma companhia aérea assim!

segunda-feira, 19 de março de 2012

REFLEXOS





Há  na capacidade de voar, uma beleza intrínseca, que ultrapassa as linhas dos aviões e as cores das fuselagens.
Um reflexo da divindade que mora na humanidade.
Uma promessa de libertação da condição humana.
O verdadeiro ato de insubmissão a Deus.


terça-feira, 13 de março de 2012

TERRA

O nosso planeta, visto de qualquer ângulo, assume uma beleza esmagadora.
Há imagens que dispensam legendas. Olhamos para elas e, quando muito, respiramos fundo, muito embora seja legítimo que coloquemos mil e uma questões relativas à nossa (breve) passagem por cá e a nossa dimensão tão relativa perante as coisas que nos rodeiam.
Os aviões e as viagens vieram "revolucionar" o modo como podemos observar o nosso planeta, através de uma janela que o Homem, pelo seu engenho, conquistou, à força da vontade do voo.
O mesmo engenho que, por tantos locais, está a destruir paulatinamente a grande casa comum que habitamos, numa não conquista.
É uma desgraçada "lei da sobrevivência" que se quer aplicar, ironicamente, à "esfera" que habitamos e aos que nos rodeiam, sejam os espaços físicos naturais, sejam os outros seres vivos que cada vez mais empurramos em nome da nossa instalação e domínio sobre todas as coisas.
Estranha condição a nossa, não é?

 Sobre os vales e rifts do Utah - EUA.

 Koala Lumpur - Malásia

 Costa Indonésia.
Deserto do Nevada, já perto de Las Vegas - EUA.

Londres - Inglaterra.

Interior do Irão.

Deserto da Arábia Saudita e as montanhas da "meia Lua".

Alpes austríacos.

Costa da Inglaterra - A "costa das agulhas".


Créditos nas imagens - airliners.net

terça-feira, 6 de março de 2012

Dias de chuva



Tal como antes escrevi  no Pássaro de Ferro o site irmão (ou pai) da Porta de Embarque 04, nem só de dias de sol se faz a vida. Seguindo o conselho sábio de Theodore Roosevelt: "faz o melhor que conseguires, onde estiveres, com o que tiveres", num dia de chuva também se podem tirar boas fotos.
Mesmo se o Inverno tem sido especialmente seco e com dias nítidos para a fotografia, a chuva também pode ser bonita por contraste.

Airbus A321-211Aigle Azur (F-HCAI) fotografado no Porto a 08/11/2011.
Voou pela primeira vez a 05/03/2001 e já passou pelas transportadoras Volare (I-PEKM), GECAS (EI-DDS), Cyprus Turkish (TC-KTC) antes da matrícula e companhia atual.

quinta-feira, 1 de março de 2012

MCDONNELL DOUGLAS MD-87 "CIUDAD DE SEVILLA"




A primeira vez que voei num MD-87 foi no já algo longínquo ano de 1994 numa ligação Lisboa-Madrid na Iberia.
A aeronave s/n 49827/1654 recebeu de matrícula EC-EUE em Espanha e era então relativamente nova (tinha efetuado o primeiro voo a 1 de dezembro de 1989 e sido entregue à Iberia a 6 de abril de 1990).
Já em 1998 receberia nova matrícula EC-GRK, que manteve depois de ter sido transferido para a Spanair, oficialmente a 2 de novembro de 2005.
A 10 de novembro de 2008 foi por sua vez vendido à transportadora 1Time sul-africana e ao que consta encontra-se atualmente armazenado em Joanesburgo sem ter voltado a voar.

No regresso dessa viagem voltei também num MD-87 (ignoro sequer se até terá sido o mesmo) mas não guardei qualquer registo do voo, naquela que seria a última vez que viajei num MD-87 até à data.

A família MD-80 possui ainda muitas unidades em voo por todo o mundo, principalmente no continente americano, mas na Europa tem vindo a ser gradualmente substituídos pela supremacia da Airbus e são uma visão cada vez mais rara nos nossos aeroportos.




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